
Na manhã desta quinta-feira (29), a influenciadora digital Viviane Noronha usou suas redes sociais para se pronunciar sobre a prisão do seu companheiro, o funkeiro MC Poze do Rodo, ocorrida no Rio de Janeiro. A operação, conduzida por agentes da Polícia Civil, acusa o artista de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), alegando que ele manteria uma “relação sólida” com integrantes do grupo.
Diante da comoção, Viviane se posicionou com firmeza e emoção, revelando episódios de humilhação, violência emocional e, segundo ela, um tratamento desumano durante a abordagem policial. Em seus stories no Instagram, ela também compartilhou manifestações de apoio, como a do cantor Oruam, amigo próximo de MC Poze, que publicou uma foto dos filhos do artista com a legenda comovente:
“Explica para uma criança por que seu herói vive dentro das grades.”

“Perseguem o preto que vence”: Viviane denuncia preconceito estrutural e injustiça social
Em um desabafo impactante, Viviane atribuiu a prisão de MC Poze a um contexto muito mais profundo do que o alegado pelas autoridades. Segundo ela, trata-se de preconceito social e perseguição à ascensão do povo preto e periférico, que sofre retaliações ao conquistar espaço e visibilidade.
“Eles distraem a população do que realmente importa. Escondem quem realmente deveria estar preso e a bagunça que virou o Brasil! Tenho percebido que, quanto mais um pobre, principalmente um favelado, enriquece, mais o perseguem como carniceiros! Não se deixem enganar, não acreditem na mídia!”, escreveu.

A fala de Viviane ecoa como um grito contra a estrutura que, segundo ela, se incomoda com a autonomia e a vitória de jovens negros oriundos das favelas, que encontram na música e na arte um caminho legítimo de mudança de vida.
“Foi humilhante”: Viviane detalha abordagem traumática e acusa policiais de abuso
O relato da influenciadora revela um cenário que vai além da prisão: a dor de ser desrespeitada dentro do próprio lar, ao lado da filha, sem direito ao básico. Segundo Viviane, a operação foi conduzida de maneira fria, autoritária e, sobretudo, sem compaixão pela família de MC Poze, que estava presente no momento da detenção.
“Foi humilhante, desumano e cruel. Não houve compaixão nem com nossos filhos. Vocês tiram a esperança do preto favelado. Nem o mínimo de respeito foi oferecido. Educação não existiu”, desabafou.
Viviane afirma que foi impedida de segurar a filha, ainda bebê, e que MC Poze sequer pôde se vestir ou calçar um chinelo antes de ser levado pela polícia. O tom do relato é de indignação e revolta diante do que ela descreve como um espetáculo de opressão.
“Marlon é resistência. Vocês são lixo”: a força do grito de quem vive à margem
Ainda emocionada, Viviane revelou detalhes do momento em que tudo aconteceu: dormia ao lado da filha pequena quando os agentes entraram. O choque, o medo e a impotência marcaram o episódio, que ela descreve como violento e simbólico de um sistema que prefere punir do que proteger.
“Eu estava no meu quarto, com a minha filha Júlia ao lado, e nem pude trocar de roupa. Vocês sequer deixaram que eu a pegasse no colo. Isso é o que vocês fazem: oprimir. Nem o básico permitiram: Marlon vestir uma blusa e calçar um chinelo. Mas envergonhar vale mais, né? Marlon é resistência. Vocês são lixo.”

A fala crua e direta expõe a dor de uma mulher que vive diariamente o peso do julgamento social por ser negra, mãe, moradora da periferia e esposa de um artista com origem na favela. Viviane encerra seu posicionamento com uma mensagem de resistência, mostrando que, apesar das tentativas de silenciamento, a luta pela dignidade segue viva e pulsante.



